Por Que um Deus Bondoso Permitiria o Mal Moral?

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Why Would a Good God Allow Moral Evil?

Para muitos, a presença do mal moral é evidência contra a existência de um Deus todo-poderoso e amoroso. O problema do mal talvez seja a objeção mais frequente que ouço quando falo aos céticos, e tem sido dita por milhares ao longo da história. Epicuro (o antigo filósofo grego, 341-270 a.C) apresentou o problema de forma clara:

“Deus quer impedir o mal, mas não consegue? Então ele não é onipotente. Ele consegue, mas não quer? Então ele é malígno. Ele consegue e quer? Então, de onde vem o mal? Ele não consegue e nem quer?”

Eis a situação: se um Deus bom, todo poderoso e amoroso existe, e nós, como seres humanos, fomos supostamente criados à Sua “imagem”, por que estamos tão inclinados a fazer coisas imorais? E por que esse Deus todo-poderoso não faz algo para impedir o comportamento maligno e imoral? Um Deus assim ou é muito impotente para impedir o mal, não se importando em agir, ou simplesmente não existe.

Mas pense nisso por um minuto. O que é mais amoroso: um Deus que cria um mundo em que o amor é possível, ou um Deus que cria um mundo no qual o amor é impossível? Parece razoável que um Deus amoroso (caso ele exista) criaria um mundo onde o amor fosse possível. Um Deus bom criaria um mundo onde o amor pudesse ser experimentado e expressado por criaturas criadas “à Sua imagem”. Mas esse tipo de mundo onde há a possibilidade do amor é, necessariamente, um lugar perigoso. O amor requer liberdade.

O verdadeiro amor requer que os humanos tenham a capacidade de escolher livremente; para ser sincero e verdadeiro, o amor não pode ser forçado. Por exemplo, não posso obrigar os meus filhos a me amarem. Em vez disso, devo demonstrar meu amor por eles, fornecer-lhes o conhecimento e a sabedoria moral necessários para fazerem escolhas seguras e amorosas e, então, dar-lhes a liberdade individual de amarem uns aos outros e fazerem o que é certo. Enfim, como pai, eu tenho que deixar, e esse processo é perigoso. Para que meus filhos tenham a liberdade de amar, eles também precisam ter a liberdade de odiar. Esse tipo de liberdade costuma ser dispendioso. Um mundo no qual as pessoas têm a liberdade de amar e praticar o bem também é um mundo no qual as pessoas têm a liberdade de odiar e praticar o mal. Você não pode ter um sem o outro, e nós entendemos isso de forma intuitiva. Vamos considerar um exemplo.

Um mundo no qual as pessoas têm a liberdade de amar e praticar o bem também é um mundo no qual as pessoas têm a liberdade de odiar e praticar o mal. Click To Tweet

Todos os anos, milhões de tesouras são fabricadas e vendidas em países de todo o mundo. Todos sabem que as tesouras podem ser valiosas e bastante úteis. Ninguém está discutindo leis para impedir a fabricação ou venda de tesouras; entendemos o quanto elas são benéficas. No entanto, a cada ano, centenas de homicídios e assaltos são cometidos com tesoura (eu investiguei alguns desses). Embora as tesouras tenham sido projetadas para um propósito bom e útil, frequentemente são utilizadas para praticar o mal. Da mesma forma, a nossa “livre agência” é um lindo dom que nos permite amar. A intenção era disponibilizar os meios pelos quais pudéssemos amar uns aos outros e até mesmo amar a Deus. Mas essa liberdade, assim como uma tesoura, também pode ser usada para praticar o mal se decidirmos rejeitar seu propósito original.

Como cristãos, cremos que fomos criados à imagem de Deus. Temos a liberdade de amar e somos criaturas eternas que viveremos além da nossa breve existência terrena. Nossa livre agência nos permite amar e praticar o bem, e nossa vida eterna disponibiliza o contexto para Deus lidar justamente com aqueles que optam por odiar e praticar o mal. Deus fará algo para impedir o comportamento maligno e imoral. Ele é poderoso o suficiente para impedir o mal completamente, e Ele se importa com a justiça. Porém, como um ser Eterno, Ele tem a capacidade de resolver o problema em uma linha cronológica eterna.

“Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. (1Jo 4.7,8)

Comparado à eternidade, esta existência temporal e terrena é apenas um vapor, criado pelo bom Deus para ser um lugar maravilhoso onde o amor é possível para aqueles que assim escolhem.

J. Warner Wallace é um detetive de casos de homicído arquivadosdefensor do Cristianismo, pesquisador sênior do Colson Center for Christian Worldview, professor associado de apologética na Universidade de Biola e autor de Cristianismo Cold-Case , Cena do crime de Deus, e Fé Forense.

Mais artigos em português AQUI. Leia a tradução original AQUI.

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